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Robert Browne (1550?-1633)
[1] foi uma figura controversa e é considerado o primeiro defensor notável das idéias separatistas.
[2]Browne foi um separatista elizabetano proeminente, nascido em Tolethorpe, Ruthandshire (ou Rutlandshire) da rica e influente família Midlands, de Northamptonshire. Seu pai era associado ao mais próximo assessor da rainha Elizabeth, Lord Burghley.Ele fez seus estudos na Corpus Christi, de Cambridge, e enquanto estava ali conheceu Robert Harrison (1540?-1585?) que era de Norwich. Junto a Harrison desenvolveu uma concepção de política da igreja, incluindo um sistema de governo em que a congregação assumia o papel principal. Ambos foram influenciados pelas aulas do teólogo puritano Thomas Cartwright (1535-1603), que era professor em Cambridge. Nesta época a Universidade teve uma inclinação decisiva em favor do puritanismo em sua filosofia, e um espírito renovado em favor das idéias da Reforma.
Após ter saído de Cambridge, Browne se tornou famoso pela sua pregação das idéias reformistas. Em 1578 ainda voltou a Cambridge para estudar mais e ali um puritano chamado Richard Greenham pode ter sido uma influência decisiva para que ele terminasse as exigências para a sua ordenação ao ministério. E assim, ordenado foi servir em uma Igreja Anglicana. No seu ministério Browne começou a rejeitar a visão puritana não-separatista de reforma dentro da igreja, e pensou em sair da Igreja estabelecida.
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Em 1579 já criticava abertamente a Igreja Anglicana, sua administração e liderança. Foi preso por causa disto, mas foi logo liberado. Ainda em 1579-80 ficou doente e para convalescer, viajou até a área de Norwich terra de seu conhecido Harrison.
Existe a informação que ele também teve contato com um separatista chamado Thomas Wosley, e este pode ter sido uma grande influência nos seus pensamentos e nos de Harrison.
Em 1581, Browne e Harrison concordaram em estabelecer uma congregação nos moldes de seu pensamento em Norwich, que era uma cidade importante e tinha uma grande população holandesa, que era um país onde havia liberdade religiosa, que ia ali trabalhar nas indústrias locais. A congregação seria fundada sob os princípios de que a única igreja verdadeira era um corpo local de crentes que experimentassem a vida cristã juntos, unidos a Cristo e uns aos outros, por um “pacto” voluntário ou por um acordo solene. Cristo, e não o rei da Inglaterra, era o Cabeça da Igreja. As congregações deveriam ser autônomas, elegerem seus próprios pastores, professores e diáconos. Deveriam ser unidas por pactos mútuos e se encontrar conjuntamente em sínodos, para estudar sua fé e prática. A igreja fundada por Browne e Harrison é a primeira que pode se dizer tinha a filosofia congregacional na sua forma.
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Browne era um bom pregador e muitas pessoas começaram a se juntar para ouvi-lo. Em Abril, o bispo local pediu a prisão de Browne, mas ele foi solto mais uma vez.
A congregação de Norwich elegeu Browne como seu pastor e Harrison como seu professor. Mas a perseguição era ferrenha, e em 1582, Browne, Harrison e a maioria da congregação tiveram que fugir para Middelburg, Holanda.
[5] Ali entre outros tratados Browne escreveu “Tratado da Reforma sem Esperar por ninguém e da Impiedade dos Pregadores que não se Reformam...Até que o Magistrado os Ordene e Obrigue. E o “Livro que Apresenta a Vida e Comportamento de Todos os Verdadeiros Cristãos”.
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Thomas Cartwright, que havia sido expulso de Cambridge pelas suas preleções em favor de um estilo simples de igreja
[7] também havia estabelecido sua própria congregação em Middelburg, e isso pode ter influenciado na decisão de Browne ir para lá. Mas, chegando à Holanda, Browne não concordou com a visão de Cartwright e o criticou em seus escritos. Também começou uma discórdia entre Browne e Harrison dentro da congregação e suas respectivas famílias.
Por fim a visão de Harrison se sobrepôs na congregação, e em 1583 Browne foi expulso da mesma. Assim, com um pequeno grupo de seguidores foi para a Escócia e estabeleceu-se em Edimburg. Na Escócia foi preso algumas vezes e suas prisões e saúde fraca o levaram de volta a Inglaterra.
Em 1584, já na Inglaterra começou a escrever e a publicar livros manifestando uma visão diferente da Igreja Anglicana, mais uma vez foi preso e solto, parece por intervenção familiar.
Teve problemas com o bispo, mas provavelmente mais uma vez pelo auxilio da família, aconteceu sua reconciliação com a Igreja Anglicana. Em 1591 ele foi servir em uma paróquia em Stanford. Ficando nela até 1631 ou 1633.
[8] Foi preso mais uma vez supostamente por ter agredido um policial, e morreu na prisão.
Robert Browne é muitas vezes considerado o pai do congregacionalismo inglês.
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NOTAS:
[2] WALKER, Williston. p. 547. Veja: DEXTER, Henry Martyn. A Hand-Book of Congregationalism (Boston: Congregational Publishing Society, 1880), p. 2; BROOK, Benjamin. The Lives of Puritans (London: James Black, v. II, 1813), pp. 366-369.
[7] FERREIRA, Fraklin.“O Movimento Puritano e João Calvino” em Fides Reformata (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 4/1, 1999), p. 29. Cambridge se tornou a principal universidade influenciada pelos Puritanos. Vd.: CAIRNS, Earle E. p. 273.
[8] WALKER, Williston, p. 548 nos dá as seguintes datas 1591- 1633. Ver também: CAIRNS, Earle E. p. 275.