Realizar o ide do Senhor é uma das tarefas mais sublimes da vida cristã. Nele, Deus nos revela o seu grande amor e cuidado para conosco. Tendo isso em mente, não entendo porque muitos crentes se omitem em obedecer aquilo que Deus nos ordenou: fazei discípulos de todas as nações (Mt 28. 19). Sei que ninguém pode priorizar ao mesmo tempo sua vida e o reino de Deus, pois, com toda certeza, irá servir a um melhor do que a o outro. Enquanto amarmos a nossa vida mais do que o reino de Deus, não poderemos gozar as graças da missão.
Gostaria de atentar para o que Jesus disse aos seus discípulos: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio" (Jo 20.21). Depois de ter ressuscitado, Jesus se encontra com os seus discípulos comissionando cada um deles para a continuação da missão que ele havia começado. O fato que me chama atenção nessa passagem é a comparação estabelecida entre a missão dada pelo Pai ao Filho, e agora, a missão do Filho dada aos discípulos. Acredito que ambas revelam a mesma abrangência de relacionamento. Ou seja, toda a gama de privilégios dados ao Filho pelo Pai, agora os discípulos podem receber através do Filho.
Então, quais os privilégios recebidos pelo Filho quando foi enviado ao mundo? Primeiro, nele foi depositado todo o amor do Pai. Não é por acaso que Jesus é identificado como "Filho amado", "meu amado", "Amado" (cf. Mt 3. 17; 12. 18; Ef 1. 6). A missão foi realizada pelo amado de Deus. O Pai não quis dar o que lhe restava e que não tinha valor. Ele enviou o que mais amava, o seu Filho unigênito.
A missão que Cristo comissionou a nós nos agracia com todo o seu amor. Ele nos tornou alvo do seu amor para nos enviar ao mundo perdido. Não fomos salvos para vivermos no comodismo. Ele nos salvou e nos amou para obedecermos a sua ordem. Quando nos envolvemos com a missão, temos a firme convicção de que o Pai nos ama, e que o seu amor não nos abandonara seja quais forem os obstáculos. Uma cruz, a fome, a peste... Nada poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8. 38, 39).
Além do amor, quando obedecemos o ide temos o privilégio da presença bendita de Deus em nossas vida. A missão que recebemos não pode ser realizada sem a presença de Cristo, sabe por que? Porque sem ele o milagre do arrependimento genuíno nunca ocorrerá. Jesus disse aos seus discípulos: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28. 20). Sua presença nos foi garantida pelo Espírito Santo (cf. At 1.8). Com ela recebemos o poder para testemunhar e persuadir os pecadores dos seus erros, pois o Espírito é quem convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16. 8) e não a nossa eloquência. Sem a sua presença, a missão não teria poder de convertimento.
Quando obedecemos a missão, sentimos mais intensamente a presença do Senhor. Como é maravilhoso sentir o Senhor junto a nós. Aclarando a sua verdade em nossos corações, nos dando sabedoria, perseverança e ousadia diante daqueles têm as suas vidas tomadas pelo pecado. Deus permite maior intimidade para aqueles que vivem em obediência à sua vontade. Foi assim com Cristo e todos os demais que não tiveram as suas vidas por preciosas, mas as entregaram à vontade do Pai.
Infelizmente muita gente tem deixado de gozar o amor e a presença do Pai mais intensamente. Esses já foram enlaçados pelas tentações desse mundo e amam mais as coisas dessa vida do que as do céu. Mas ainda há tempo de mudarmos o curso de nossas vidas e sermos participantes dos privilégios do IDE. Ore e aja!
Autor: Pr. Leonardo J. N. Félix. Compõe o quadro de ministros da ALIANÇA desde 2007. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Evangélico Congregacional. Bacharelando em Administração pela Universidade Federal da Paraíba. Professor de Teologia Bíblica de Missões e Teologia do Culto no STEC/JP. Atualmente é Co-Pastor da II Igreja Evangélica Congregacional em João Pessoa, Paraíba. (O artigo está disponível também no blog: prleonardofelix.blogspot.com)