Nascido em São Paulo, capital, em 1963, casado com Céliz Elaine, e pai de cinco filhos: Rachel (20), Israel (18), Deborah (15), Daniel (11) e Miriam (5), o Rev. Luis Sayão tem se destacado no ministério especialmente em três áreas: Pastoral, Literatura e Ensino Teológico. Formou-se na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, consagrado ao ministério pastoral em 1988 e atualmente pastoreia a Igreja Batista Nações Unidas no World Trade Center de São Paulo. Formado em Lingüística e Hebraico na Universidade de São Paulo, o Rev. Sayão é atualmente professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo e o Seminário Teológico Servo de Cristo; é consultor acadêmico do Seminário do Evangelho Pleno Bethesda (igrejas coreanas), e é professor visitante do Gordon-Conwell Theological Seminary em Boston. Tem atuado como conferencista em todo o Brasil, EUA, Europa e Japão, além de ter feito traduções e revisões para diversas editoras. É bastante conhecido no Brasil pelo desenvolvimento do Programa Rota 66 com a Rádio Transmundial.
ALIANÇA Congregacional: Rev. Luis Sayão, gostaríamos que o senhor comentasse sobre a importância da Pregação Expositiva em nossos dias.
Rev. Luis Sayão: A importância da pregação expositiva é permitir que todos ouçam de fato o texto falar. As pregações temáticas têm sua utilidade, mas podem ser mais facilmente direcionadas pela intenção teológica ou dogmática do pregador. Quando somos levados a expôr o texto, temos de lidar com a mensagem do próprio texto. Além de sermos enriquecidos pela mensagem direta e contextual do autor, temos diversos enfoques que aparecem no texto de ordem psicológica, sociológica, etc. O próprio pregador é confrontado pelo texto e terá de falar sobre o que nem sempre gostaria. Isso é muito saudável. Eu diria que a pregação temática é como suco de laranja de “caixinha” e a pregação expositiva é “laranjada natural”, direto da fruta. Isso com certeza produz crescimento em diversos assuntos.
AC: Em sua opinião, como a Igreja Brasileira tem lidado com a Hermenêutica (ciência que lida com os princípios de interpretação bíblica)? Existe respeito ao texto?
Rev. Luis Sayão: Com certeza há muitos pastores e professores de teologia que valorizam a hermenêutica sadia e fundamentada nas Escrituras. No entanto, isso nem sempre é verdade. As diversas mensagens disponíveis na mídia sugerem que se pratica muito uma hermenêutica “espiritualizante” e alegórica, que não presta atenção ao significado do texto em seu sentido original. Além disso, alguns púlpitos têm recebido a influência da teologia liberal desconstrucionista pós-moderna, que não acredita que podemos ter acesso ao conteúdo do texto original. A verdade é que neste ponto, a igreja brasileira precisa melhorar e amadurecer. Para isso é preciso dar mais atenção às línguas originais, ao estudo da exegese e à teologia bíblica.
AC: Quais são as novas tendências do evangelicalismo brasileiro?
Rev. Luis Sayão: De fato há uma pulverização de tendências. O mundo pós-moderno e o ambiente neoliberal das cidades grandes favorecem muito o neopentecostalismo com sua teologia da prosperidade. É o reflexo das tendências globais no mundo religioso. Quando este impacto diminuir, teremos duas opções: muita gente frustrada e decepcionada, ou uma busca de outras alternativas religiosas. Ao mesmo tempo, outras tendências têm aparecido como reação a este perfil dominante. Há aqueles que têm se fechado em um fundamentalismo restrito e a perspectivas teológicas unilaterais, o que sugere medo do mundo à volta e protecionismo exagerado da igreja. Há também o namoro com a teologia liberal, principalmente devido à presença mais recente desta literatura no Brasil. E há quem tenha perdido a referência, sem saber para onde está indo. O número de líderes que não tem mais identidade teológica e que perderam referenciais éticos e pragmáticos cristãos preocupa. Mas, ao mesmo tempo, cresce o interesse teológico em seminários e cursos. Creio que estamos numa época de transição e mudanças. Pelo aspecto tranqüilo e pacífico da cultura brasileira, creio que teremos um processo razoavelmente feliz de acomodação teológica. O futuro nos dirá.
AC: Qual tem sido o seu trabalho mais recente na área de difusão do estudo das Escrituras Sagradas?
Rev. Luis Sayão: Tenho atuado no ministério pastoral, na Igreja Batista Nações Unidas, em São Paulo, www.ibnu.com.br; sou diretor acadêmico do Seminário Servo de Cristo e professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, entre muitas outra atividades. Mas o projeto mais relevante no qual estamos envolvidos no momento é a produção de uma série de estudos bíblicos, capítulo por capítulo, chamado Rota 66. É patrocinado e produzido pela Rádio Transmundial. Trata-se de um comentário bíblico falado que combina exposição teológica e aplicação prática. O Antigo Testamento inteiro já foi publicado em grande parte em CDs (com um livro), www.transmundial.com.br. Nosso objetivo é tornar o estudo das Escrituras atraente. O projeto do Rota 66, uma viagem pelos 66 livros da Bíblia, funciona assim: O capítulo bíblico é explicado de modo panorâmico, depois seguem algumas perguntas mais complicadas, feitas pelo Pr Alberto Veríssimo e finalmente há uma aplicação prática do que foi estudado. Tem sido muito bem recebido, principalmente pelo sabor brasileiro e contemporâneo da abordagem.
AC: Como foi a sua experiência no Concílio da Igreja Congregacional da ALIANÇA?
Rev. Luis Sayão: Apesar de ter ficado pouco tempo, foi uma experiência muito boa. Fiquei muito bem impressionado com o interesse teológico da igreja. Minha experiência tem mostrado que muitos grupos mais renovados não tem tanto interesse no estudo aprofundado das Escrituras. Aqui foi bem diferente. Se eu tivesse ficado com os irmãos por uma semana, passaria o tempo todo respondendo perguntas sérias sobre o texto bíblico e sobre a teologia. Creio que o a Igreja Congregacional está numa posição equilibrada entre tendências extremas. Espero que Deus continue abençoando muito os irmãos para que haja um crescimento cada vez maior da igreja em todos os sentidos.